Professora da UFRN e líder de startup incubada no Metrópole Parque vence Prêmio Ciência Delas

Pesquisadora foi reconhecida por projeto que une resíduos salinos, hidrogênio e energia renovável
02-09-2026 / ASCOM
Empresas
Carol Reis

A professora Elisama Vieira dos Santos, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e diretora de desenvolvimento tecnológico da ENIE: Empresa Nacional de Inovação em Eletroquímica, startup incubada no Parque Tecnológico Metrópole Digital (Metrópole Parque), foi uma das vencedoras da segunda edição do Prêmio Ciência Delas. Promovida pela Repsol Sinopec Brasil, a iniciativa reconhece pesquisadoras que desenvolvem soluções inovadoras nas áreas de energia, transição energética e descarbonização. 

Elisama foi premiada na Categoria Espanha pelo projeto “Da recuperação de resíduos salinos a sistemas de energia sustentável: plataformas integradas para a produção de H₂ e hipoclorito de sódio com acoplamento de energia renovável”. O resultado foi revelado em agosto e a cerimônia de premiação está prevista para ocorrer entre 21 a 24 de setembro, durante o Festival  ROG.e 2026. 

A proposta premiada parte de uma realidade estratégica para o Rio Grande do Norte, responsável por aproximadamente 95% da produção nacional de sal marinho e detentor de elevado potencial para a geração de energia solar e eólica. “Nossa proposta é transformar um resíduo industrial em matéria-prima para gerar dois produtos de interesse estratégico: o

hidrogênio, como vetor energético, e o hipoclorito de sódio, empregado na desinfecção e no tratamento de águas”, explica a professora.

 

A tecnologia é resultado de mais de uma década de pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Eletroquímica Ambiental e Aplicada da UFRN, o LEAA. O trabalho envolve estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores e colaboradores de instituições brasileiras e estrangeiras. 

 

O projeto reconhecido pelo Prêmio Ciência Delas possui convergência temática e tecnológica com as áreas de atuação da startup ENIE. Ambas as iniciativas trabalham com engenharia de células eletroquímicas, tratamento e valorização de águas e efluentes, produção de hidrogênio e desenvolvimento de soluções adaptáveis a diferentes escalas.

 

“A conexão está no propósito de transformar conhecimento científico em soluções tecnológicas aplicáveis. A startup contribui para aproximar a pesquisa das necessidades de empresas, comunidades e instituições interessadas em tratamento de águas e produção sustentável de hidrogênio. O projeto premiado fortalece essa visão e amplia as possibilidades de desenvolvimento, validação, escalonamento e futura transferência

tecnológica, sempre respeitando as normas institucionais e a titularidade da

propriedade intelectual envolvida”, aponta Elisama.




Conexões com o ecossistema espanhol de inovação

Como vencedora da Categoria Espanha, a pesquisadora participará de atividades de networking e de uma experiência imersiva no ecossistema espanhol de ciência, tecnologia e inovação. A oportunidade possui significado especial em sua trajetória, pois parte de sua formação de doutorado foi realizada na Universidad de Castilla-La Mancha. Essa experiência originou uma cooperação científica internacional que permanece ativa há mais de uma década, com publicações, intercâmbio de conhecimentos e desenvolvimento de novas propostas de pesquisa.

 

“Minha expectativa é utilizar a imersão para fortalecer parcerias já estabelecidas e construir novas conexões com universidades, centros de pesquisa, empresas, investidores e ambientes de inovação. Queremos avançar na validação da tecnologia, ampliar sua escala e avaliar oportunidades de cooperação e transferência tecnológica. Também será uma ocasião importante para apresentar o potencial científico da UFRN, do Rio Grande do Norte e da ENIE a parceiros internacionais”, destaca a Elisama.

 

A pesquisadora espera ainda conhecer experiências espanholas relacionadas ao hidrogênio renovável, à economia circular, ao tratamento descentralizado de águas e à integração de fontes renováveis a sistemas eletroquímicos. O objetivo é incorporar conhecimentos que possam contribuir para o amadurecimento da tecnologia e para sua futura aplicação em indústrias salineiras, comunidades com acesso limitado à água e ao saneamento, instalações industriais e operações offshore.

 

A conquista também reforça a importância da presença feminina em áreas estratégicas da ciência e da tecnologia. “Premiações como o Ciência Delas dão visibilidade às contribuições das mulheres para a transição energética e a descarbonização. Esse reconhecimento pode inspirar meninas, estudantes e jovens pesquisadoras a perceberem que também podem liderar projetos científicos, desenvolver tecnologias e ocupar espaços de decisão”, finaliza.