IMD registra software que aprimora a análise da produções científicas no Brasil

Scylax 2.0 permite pesquisadores visualizarem redes de colaboração e monitorar desempenho acadêmico
03-06-2026 / ASCOM
Inovação Pesquisa
Pedro Weissheimer e Felipe Araújo

O Instituto Metrópole Digital (IMD) registrou no último mês mais um software junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Intitulado Scylax 2.0, o sistema de código aberto promete transformar a gestão e a avaliação da pesquisa acadêmica no Brasil, consolidando-se como uma solução para processar informações e gerar métricas de indicadores de desempenho acadêmico.

A ferramenta recebeu o registro do INPI já no início de abril e promete aprimorar a gestão e a avaliação da pesquisa acadêmica no Brasil ao automatizar a coleta e o processamento de informações provenientes de diferentes bases de dados públicas. A ferramenta é decorrente de um projeto desenvolvido ao longo dos últimos anos no âmbito da UFRN, a partir da necessidade de automatizar a coleta, o processamento e a análise de dados científicos para apoiar a gestão da pesquisa acadêmica.

“A primeira versão do Scylax, o 1.0, já havia sido registrada em meados de 2020. Desde então, foram feitas algumas evoluções na parte interna. O 2.0 passou a automatizar totalmente esse processo de coleta de dados de diferentes fontes”, explica Gibeon Soares, docente do Departamento de Informática e Matemática Aplicada (Dimap) e pesquisador do IMD e autor principal do projeto.

Para o professor, o registro concedido pelo INPI se deu por destaques principalmente nos quesitos de acessibilidade e segurança. “O grande diferencial não é a informação em si, pois as fontes são públicas”, explica. “O desafio sempre foi coletar, consolidar e calcular indicadores de forma automatizada e confiável. Não existiam soluções abertas e bem amadurecidas para isso — só algumas fechadas e pagas”.

Scylax 2.0

O objetivo principal do Scylax 2.0 é consolidar e processar informações dispersas em diversas bases de dados públicas, como o Lattes e Sucupira (CAPES), para gerar métricas e indicadores de desempenho acadêmico.

Conforme explica Gibeon Soares, a ferramenta permite desde análises individuais de docentes e pesquisadores até comparativos organizacionais entre departamentos, programas de pós-graduação e instituições. Tudo isso pode ser visualizado através de uma plataforma online, dividida em três seções internas: Conhecer, Comparar, e Explorar.

A primeira permite navegar pelos indicadores de uma entidade específica (um pesquisador, um departamento, um programa ou a própria universidade), oferecendo gráficos e visualizações sobre produção científica, orientações e colaborações.

O Comparar funciona como uma ferramenta de benchmarking, ou seja, na comparação de processos e metodologias entre diferentes grupos. É possível confrontar indicadores entre duas ou mais entidades, como comparar a UFRN com a USP, ou um docente com outro profissional referência em sua área.

Por fim, o Explorar foca na análise de redes, revelando, a partir de um pesquisador central, todos os coautores, orientadores e orientados, inclusive em níveis recursivos. “Você vê a amplitude da atuação daquele docente de forma totalmente visual e legível”, explica Soares.

O programa foi desenvolvido em linguagens JavaScript e Python e já está disponível para toda a comunidade científica nacional.

Aplicabilidade

Gibeon Soares comenta que os impactos positivos do Scylax 2.0 já são amplamente percebidos. “Coordenadores de pós-graduação utilizam a ferramenta para acompanhar o desempenho de seus programas, compará-los com concorrentes da mesma área e subsidiar estratégias para elevar a classificação na CAPES”, explica.

“Além disso, a Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PROPESQ) aplica o Scylax na análise de editais internos, pesquisadores individuais recorrem ao sistema para fazer benchmark com pares e avaliar sua própria trajetória, e departamentos e grupos de pesquisa passaram a monitorar colaborações e produção coletiva com precisão inédita”, adiciona.

O docente também afirma que, embora já funcional, o Scylax 2.0 continuará em evolução. Os planos imediatos incluem o aprofundamento de indicadores específicos para a pós-graduação – área que ainda demanda maior refinamento.

“Queremos agora estreitar ainda mais o foco na pós-graduação e seguir ajudando coordenadores, pró-reitores e pesquisadores a tomar decisões mais qualificadas”, conclui Soares.

O software é gratuito e de livre acesso, podendo ser utilizado por docentes, gestores e estudantes de todas as instituições de ensino superior.