IMD conquista aprovação de dois projetos em saúde digital na Rede HU+ da CAPES

Iniciativas vão usar IA para gestão hospitalar e o cuidado materno-infantil no SUS
03-06-2026 / ASCOM
Edital Inovação PD&I
Pedro Weissheimer e Felipe Araújo

Dois projetos do Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN) foram aprovados em um edital da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) em prol da Rede HU+, uma nova iniciativa para fomentar projetos de pesquisa e extensão voltados à gestão hospitalar no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Os projetos aprovados sob liderança do IMD são o CUIDA+, e o HUOL+IA. Juntas, as iniciativas receberão um financiamento de R$ 2,4 milhões para desenvolver soluções baseadas em Inteligência Artificial (IA) aplicadas à gestão hospitalar e ao cuidado de alta complexidade no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) e a Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC).

De abrangência nacional, o Edital Conjunto nº 4/2025 da CAPES escolheu 52 propostas ao todo, que deveriam se alinhar a eixos como saúde da mulher, populações vulneráveis, saúde indígena, saúde digital, e doenças negligenciadas ou raras.

O orçamento total, aplicado junto a instituições de todo o Brasil, é de R$ 75 milhões, envolvendo hospitais universitários da Ebserh e instituições públicas de ensino superior, ofertado a partir de bolsas de iniciação à extensão, mestrado, doutorado e pós-doutorado, além de recursos de custeio.

CUIDA+

Orçado em R$ 1,2 milhão, o projeto Rede CUIDA+ visa criar modelos preditivos baseados em IA para superar a fragmentação longitudinal dos dados das pacientes – quando as informações sobre o histórico de atendimento ficam distribuídas em diferentes registros dentro da maternidade. Atualmente, essa fragmentação dificulta a antecipação de complicações como diabetes gestacional, hipertensão e prematuridade.

“Hoje, muitas informações importantes da jornada da paciente ficam distribuídas em diferentes sistemas e etapas do cuidado”, explica Marcelo Fernandes, coordenador do Núcleo Metrópole IA do IMD e docente responsável pelo projeto, junto ao professor Ricardo Cobucci (chefe do Setor de Pesquisa e Inovação Tecnológica da MEJC).

“Queremos integrar melhor esses dados e desenvolver soluções de IA que apoiem as equipes de Saúde na antecipação de riscos e na melhoria da gestão de leitos”, complementa Fernandes.

HUOL+IA

Já a Rede HUOL+IA, também orçada em R$ 1,2 milhão, tem como objetivo estabelecer uma cultura de pesquisa translacional em IA no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL).

De acordo com César Rennó-Costa, docente do IMD que coordena o projeto junto a Patrícia Maciel – chefe do Setor de Contratualização e Regulação do HUOL –, “o foco não é só implementar IA, mas entender como ela pode realmente ajudar o hospital. Buscamos uma transformação digital da gestão e operação hospitalar com ênfase nessa tecnologia”.

Exemplos de soluções previstas incluem ferramentas que otimizam o fluxo hospitalar em diferentes áreas, como imagens médicas, estratificação de risco oncológico, indicadores de eficiência do bloco cirúrgico, laudos de anatomia patológica e gestão de demandas de internação em UTI.

O professor César Rennó-Costa também destaca a participação do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) na iniciativa, a qual se dá através de pesquisa de dados e métricas de IA que podem impactar diretamente a rotina hospitalar.

Também participam da rede diferentes programas de pós-graduação da UFRN, como o de Gestão e Inovação em Saúde (PPgIS), Fonoaudiologia (PPgFono) e Neurociências (PPgNeuro), além do Instituto Santos Dumont (ISD) e a Universidade Federal do Pará (UFPA).

“Essa é uma excelente oportunidade de inserir ensino e pesquisa em um ambiente prático. Como se trata de um hospital-escola que integra uma rede muito grande, qualquer impacto positivo ali pode se espalhar por toda a rede”, afirma. O HUOL+IA está previsto para ter duração de cinco anos.